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“Última dança de Lula”: revista dos EUA vê Flávio favorito

“Última dança de Lula”: revista dos EUA vê Flávio favorito

A revista americana The New Yorker aponta Flávio Bolsonaro como favorito no segundo turno e avalia que uma derrota de Lula pode encerrar sua trajetória política, em meio ao avanço da direita na América Latina.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode estar diante de uma derrota eleitoral capaz de marcar o encerramento de sua longa trajetória política. Essa é a avaliação apresentada pela revista norte-americana The New Yorker, que publicou uma análise apontando o senador Flávio Bolsonaro (PL) como favorito na disputa presidencial de 2026.

O artigo, intitulado "Lula's Last Dance" ("A última dança de Lula"), foi publicado na quarta-feira (21) e assinado pelo jornalista Ishaan Tharoor. A publicação relaciona o cenário eleitoral brasileiro ao avanço de forças políticas de direita em diferentes países da América Latina.

Segundo o jornalista, o resultado do primeiro turno e a nova composição política do Congresso Nacional representam desafios importantes para o presidente, que tenta conquistar mais um mandato.

Revista americana aponta vantagem de Flávio Bolsonaro

A análise da The New Yorker destaca que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Lula, contrariando expectativas anteriores sobre a disputa.

Na votação de 4 de outubro, o candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Lula conquistou 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 1,87 ponto percentual.

Para o jornalista Ishaan Tharoor, esse resultado coloca Flávio em posição favorável para o segundo turno, marcado para domingo (25).

O artigo também menciona um dado histórico da política brasileira: desde a eleição presidencial de 1989, todos os candidatos que terminaram o primeiro turno na liderança conseguiram vencer a disputa final.

Apesar desse histórico, a vantagem inicial não garante o resultado das urnas. A eleição permanece aberta até a conclusão da votação e a apuração oficial dos votos.

Derrota pode representar o fim da trajetória política de Lula

Um dos principais pontos levantados pela revista é a possibilidade de que uma derrota para Flávio Bolsonaro represente o encerramento da carreira política de Lula.

Aos 80 anos, o presidente disputa mais uma eleição após décadas de atuação no movimento sindical, na fundação do Partido dos Trabalhadores e na política nacional.

O jornalista considera que o petista enfrenta um cenário diferente daquele que marcou sua ascensão política, especialmente diante das transformações no mercado de trabalho, das novas formas de comunicação e do fortalecimento de movimentos conservadores.

O título "A última dança de Lula" sintetiza essa interpretação: o segundo turno de 2026 poderá representar um momento decisivo para o futuro político do presidente.

Avanço da direita na América Latina ganha destaque

A The New Yorker também analisa o crescimento de partidos e lideranças de direita em diferentes países latino-americanos.

Segundo a publicação, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro colocaria o Brasil entre as nações que passaram por mudanças de orientação política nos últimos anos.

O jornalista relaciona essa tendência ao cenário internacional e à influência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre movimentos conservadores na região.

A revista avalia que uma vitória do candidato do PL poderia aproximar politicamente o Brasil de Washington, especialmente em temas relacionados à segurança pública, à política externa e à atuação de organismos internacionais.

Entretanto, o artigo reconhece que interesses econômicos e comerciais, particularmente a relação brasileira com a China, poderiam limitar mudanças mais profundas na diplomacia.

Custo de vida e segurança pública pesam contra Lula

Outro ponto destacado pela análise é a dificuldade enfrentada pelo governo Lula para transformar indicadores econômicos positivos em maior apoio eleitoral.

Embora o país tenha registrado redução do desemprego, a revista aponta que preocupações com o custo de vida, a criminalidade e as perspectivas econômicas continuam influenciando a avaliação dos brasileiros.

Para Tharoor, parte do eleitorado demonstra insatisfação com os rumos do país, situação que pode favorecer candidaturas de oposição.

O artigo também observa que a trajetória política de Lula, construída em torno do sindicalismo e das relações tradicionais de trabalho, enfrenta dificuldades para dialogar com uma sociedade marcada pelo crescimento dos serviços por aplicativos e de novas modalidades de contratação.

Mesmo se vencer, Lula poderá enfrentar um Congresso mais à direita

A análise ressalta que os desafios do presidente não se limitam à disputa eleitoral.

O fortalecimento de partidos conservadores nas eleições legislativas e estaduais poderá dificultar a governabilidade de Lula caso ele conquiste mais um mandato.

Com uma presença expressiva da oposição no Congresso Nacional, propostas do Executivo poderão depender de negociações políticas mais complexas.

Por outro lado, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro também exigiria articulação com diferentes grupos parlamentares para transformar propostas de campanha em medidas concretas.

Flávio busca consolidar força política do bolsonarismo

O artigo da The New Yorker apresenta Flávio Bolsonaro como uma liderança que procura combinar a identidade política associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro com uma imagem pública mais moderada.

Segundo a publicação, o senador mantém compromissos com pautas centrais do bolsonarismo, ao mesmo tempo em que busca ampliar sua aceitação entre eleitores que não se identificam integralmente com o movimento.

A revista também menciona a intenção do candidato de promover mudanças em áreas como segurança pública, política externa e relações institucionais.

O resultado da eleição poderá definir não apenas o próximo presidente, mas também o espaço político ocupado pelo bolsonarismo nos próximos anos.

Lula aposta na mobilização de eleitores ausentes

Apesar de apontar Flávio como favorito, a The New Yorker destaca que Lula ainda possui caminhos para tentar reverter a desvantagem do primeiro turno.

Entre eles está a mobilização de eleitores que não compareceram às urnas em 4 de outubro, além da busca por votos de brasileiros que apoiaram outros candidatos na primeira etapa da eleição.

A campanha petista também procura defender os resultados do governo e convencer os eleitores de que a continuidade da atual administração representa a melhor alternativa.

Com a votação marcada para domingo (25), o cenário permanece sujeito à participação dos eleitores e à decisão final das urnas.

Eleição brasileira chama atenção da imprensa internacional

A análise publicada pela The New Yorker demonstra a importância atribuída à disputa presidencial brasileira no cenário internacional.

Para o jornalista Ishaan Tharoor, o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro representa um teste para a esquerda brasileira e poderá consolidar uma mudança mais ampla no equilíbrio político da América Latina.

Se Flávio vencer, o resultado poderá marcar uma nova etapa para a direita no Brasil. Se Lula conseguir a reeleição, terá o desafio de governar em um ambiente político com forte presença conservadora.

O desfecho será conhecido após a votação de domingo, quando os brasileiros decidirão quem ocupará a Presidência da República a partir de 2027.

Fonte principal: The New Yorker — artigo "Lula's Last Dance", de Ishaan Tharoor, publicado em 21 de outubro de 2026. Informações complementares: Poder360 e InfoMoney.