Tomate vira artigo de luxo: quilo aparece a R$ 24,99 e preço já subiu quase 60% no ano
Tomate acumula alta de quase 60% em 2026 e aparece anunciado a R$ 24,99 o quilo. Clima desfavorável e menor produção explicam o encarecimento.
O tomate, um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, está pesando cada vez mais no orçamento doméstico. Uma fotografia que circula nas redes sociais mostra o produto anunciado por R$ 24,99 o quilo em um estabelecimento comercial, provocando comentários e surpresa entre consumidores. O valor chama atenção, mas a alta do tomate não se limita à imagem: dados oficiais e levantamentos do setor agrícola confirmam que o produto sofreu uma forte valorização ao longo de 2026.
Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas em reportagem da Exame nesta sexta-feira (6 de novembro), o tomate acumulou aumento de 58,70% entre janeiro e outubro. Somente no mês de outubro, a alta foi de 24,54%, depois de uma elevação de 37,76% registrada em setembro.
O encarecimento está diretamente relacionado a problemas na produção agrícola, à redução da quantidade disponível para comercialização e às condições climáticas desfavoráveis em importantes regiões produtoras.
Por que o tomate ficou tão caro?
A principal explicação para o aumento está na diminuição da oferta. Quando menos tomates chegam aos centros de distribuição, atacadistas e supermercados disputam uma quantidade menor do produto, pressionando os preços.
De acordo com a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), o volume de tomates disponível em outubro de 2026 ficou aproximadamente 33% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.
Embora tenha ocorrido uma recuperação parcial do abastecimento em relação a setembro, a quantidade comercializada continuou insuficiente para retornar aos níveis do ano anterior.
O problema também foi identificado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, que acompanha a produção e a comercialização de hortifrutigranjeiros no Brasil.
Frio e chuvas prejudicaram as lavouras
O tomate é uma cultura sensível às condições climáticas. Temperaturas mais baixas desaceleram o amadurecimento dos frutos, fazendo com que permaneçam mais tempo nas lavouras antes de atingir as condições adequadas para comercialização.
Além disso, períodos de chuva e dias nublados prejudicam a fotossíntese, dificultam a colheita e podem comprometer a qualidade dos produtos.
Segundo pesquisadores do Cepea, esses fatores provocaram atrasos na produção e reduziram a quantidade de tomates disponíveis nos principais mercados atacadistas.
O cenário de 2026 contrariou o comportamento normalmente observado no segundo semestre, quando a entrada da safra de inverno costuma favorecer uma maior oferta e preços mais baixos.
Produtores também reduziram a área plantada
Outro fator que contribuiu para o encarecimento foi a diminuição da área destinada ao cultivo de tomate.
Nas regiões acompanhadas pelo Cepea, a estimativa é de uma redução de 5,4% na área cultivada em 2026. Considerando os últimos dois anos, a retração acumulada chega a aproximadamente 16,3%.
Parte dessa diminuição está relacionada aos prejuízos enfrentados por produtores em safras anteriores, que desestimularam novos investimentos na cultura.
Com menos lavouras em produção, o mercado passou a depender de uma quantidade menor de fornecedores, aumentando a sensibilidade dos preços a qualquer problema climático ou atraso na colheita.
Tomate chega a quase R$ 20 em feira de São Paulo
Os efeitos da redução da oferta já são percebidos diretamente pelos consumidores.
Em reportagem publicada pela Exame em 6 de novembro, uma consumidora da zona sul de São Paulo relatou ter encontrado o quilo do tomate por R$ 19,90 em uma feira livre. Na semana anterior, havia pago R$ 14,90 pelo mesmo produto.
O aumento de R$ 5 em apenas uma semana representa uma elevação de aproximadamente 33,6% naquele ponto de venda.
Já a fotografia que circula nas redes sociais mostra uma oferta de R$ 24,99 por quilo. Entretanto, não foi possível identificar com segurança a cidade, o estabelecimento ou a data em que a imagem foi registrada.
Por esse motivo, o valor deve ser tratado como um preço anunciado em um comércio específico, e não como a média nacional do tomate.
Preços no atacado também dispararam
O encarecimento começa antes de o tomate chegar às prateleiras dos supermercados.
Dados divulgados pela Ceagesp mostram que o tomate da variedade Carmem alcançou preço médio de R$ 7,59 por quilo no atacado de São Paulo durante outubro, uma alta de 30% em relação a setembro e de 134,3% na comparação com outubro de 2025.
Outras variedades também apresentaram aumentos. O tomate Pizzadoro chegou a R$ 7,19 por quilo, enquanto o Débora registrou média de R$ 6,02.
Esses valores correspondem ao mercado atacadista. No varejo, o preço final inclui despesas de transporte, armazenamento, perdas de produtos, operação comercial e margens de distribuição e venda.
Por ser um alimento perecível, o tomate também pode apresentar diferenças expressivas de preço conforme a região, a qualidade, a variedade e o tempo necessário para chegar ao consumidor.
Alta pesa no bolso das famílias brasileiras
O tomate é utilizado diariamente em saladas, molhos, refeições caseiras e na preparação de alimentos comercializados por restaurantes e lanchonetes.
Quando o produto registra aumentos expressivos, famílias precisam gastar mais para manter seus hábitos de consumo ou substituir temporariamente determinados ingredientes.
O impacto também alcança pequenos comerciantes e estabelecimentos do setor de alimentação, que podem enfrentar custos maiores na preparação de seus produtos.
Embora o tomate represente uma parcela relativamente pequena do índice geral de inflação, suas oscilações são percebidas com facilidade por consumidores que realizam compras frequentes em supermercados e feiras.
Quando o preço do tomate poderá baixar?
A possibilidade de redução depende principalmente da recuperação da produção e da chegada de novos volumes aos mercados atacadistas.
Com temperaturas mais favoráveis, o amadurecimento dos frutos pode acelerar, ampliando a oferta e diminuindo a pressão sobre os preços.
Entretanto, pesquisadores alertam que novas chuvas, temperaturas extremas e problemas fitossanitários podem continuar afetando a produtividade das lavouras.
Como a área cultivada também diminuiu, a recuperação do abastecimento poderá ocorrer de maneira desigual entre as regiões produtoras.
Não existe, portanto, uma data confirmada para que o preço do tomate volte aos níveis anteriores.
Consumidor enfrenta mais uma pressão no custo de vida
O caso do tomate demonstra como problemas na produção agrícola podem provocar aumentos expressivos nos preços dos alimentos, mesmo sem uma mudança proporcional na demanda dos consumidores.
O valor de R$ 24,99 registrado na fotografia representa uma situação específica, mas encontra respaldo em um cenário nacional de forte valorização do produto.
Os dados mostram que o aumento está associado principalmente à combinação de clima desfavorável, menor área plantada e redução do abastecimento.
Enquanto a oferta não se normalizar, a recomendação para os consumidores é comparar preços entre estabelecimentos, observar a qualidade dos produtos e avaliar alternativas temporárias de consumo.
O tomate, antes considerado um ingrediente comum e acessível, tornou-se um exemplo de como as oscilações da produção agrícola podem afetar diretamente o orçamento das famílias brasileiras.