Moody’s alerta que dívida brasileira pode continuar crescendo sem ajuste fiscal mais firme
Agência de risco avalia que continuidade da política fiscal e dificuldades de negociação com o Congresso podem prolongar pressão sobre dívida.
Avaliação após o segundo turno
A agência de classificação de risco Moody’s considera que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva tende a manter linhas gerais da política econômica. Em avaliação divulgada nesta terça-feira (27), analistas apontaram riscos associados à permanência de déficits nominais elevados, custos altos de financiamento e aumento da dívida pública.
A análise não equivale a uma nova decisão automática sobre a nota de crédito soberano do Brasil. Trata-se de uma avaliação dos desafios que o país enfrentará para estabilizar sua trajetória fiscal.
Ajustes graduais podem não bastar
Segundo o relato da avaliação da Moody’s, medidas fiscais apenas graduais podem prolongar pressões sobre as contas públicas. A agência considera que o fortalecimento da capacidade de pagamento do Estado depende de compromisso mais robusto com a consolidação fiscal.
O custo de financiar a dívida e a relação entre receitas e despesas são variáveis importantes nesse cenário. Juros elevados podem agravar o esforço necessário para estabilizar o endividamento.
Congresso mais difícil de negociar
A agência também chama atenção para a composição política do Congresso após as eleições. Com maior representação de grupos de oposição, negociações para aprovar reformas fiscais poderão se tornar mais complexas.
Esse diagnóstico é uma projeção da agência, não uma confirmação de que determinadas reformas serão rejeitadas. A tramitação de propostas dependerá de seus textos e da articulação entre governo e parlamentares.
O desafio da transparência
O principal teste será verificar se o Executivo apresentará medidas com resultados mensuráveis e se o Legislativo exigirá projeções consistentes. A trajetória da dívida deverá ser acompanhada por dados oficiais, e não por declarações políticas isoladas.