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Madeira-Mamoré: os 46 acampamentos que abrigavam trabalhadores da ferrovia em 1912

Madeira-Mamoré: os 46 acampamentos que abrigavam trabalhadores da ferrovia em 1912

Em 1912, a Madeira-Mamoré contava, segundo relato histórico, com 46 acampamentos destinados aos trabalhadores da ferrovia. Barracões de madeira e vagões adaptados serviam de abrigo durante a construção e manutenção dos trilhos na Amazônia.

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Antes de a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré se tornar um dos maiores símbolos históricos de Rondônia, centenas de trabalhadores enfrentavam a floresta amazônica, o calor intenso, as doenças e o isolamento para abrir caminho aos trilhos que ligariam Porto Velho a Guajará-Mirim.

Uma parte pouco conhecida dessa história está nos acampamentos ferroviários, estruturas instaladas ao longo da linha para abrigar os operários responsáveis pela construção e manutenção da estrada de ferro.

Segundo um relato histórico sobre a ferrovia, em 1912 existiam 46 acampamentos distribuídos pelo percurso. Embora o número exato ainda necessite de confirmação documental adicional, registros fotográficos e pesquisas acadêmicas comprovam a existência dessas instalações, inclusive de acampamentos montados sobre vagões.

Pequenos alojamentos em meio à floresta

Os acampamentos eram fundamentais para manter as equipes próximas aos trechos onde os trabalhos estavam sendo executados.

Conforme a descrição histórica, cada alojamento podia receber equipes de oito a doze trabalhadores, conhecidos como cassacos, que dormiam em redes protegidas por mosquiteiros e guardavam seus poucos pertences no mesmo espaço.

Algumas instalações possuíam um compartimento separado para o responsável pela equipe.

As construções eram feitas principalmente de madeira, com varandas e telas de proteção. As coberturas variavam entre chapas de zinco e folhas de palmeira, materiais utilizados conforme a disponibilidade e as necessidades de cada local.

Na Amazônia do início do século XX, essas estruturas representavam uma solução prática para manter trabalhadores em regiões distantes dos núcleos urbanos.

Os cassacos e o trabalho pesado nos trilhos

Os trabalhadores chamados de cassacos desempenhavam atividades essenciais para o funcionamento da ferrovia, desde serviços ligados à construção até a conservação dos trilhos e do leito ferroviário.

Entre os equipamentos descritos no relato estavam pequenos veículos ferroviários conhecidos como cegonhas, movimentados manualmente pelos próprios operários.

Esses carros permitiam deslocamentos entre pontos da linha sem a necessidade de utilizar uma locomotiva.

Apesar do esforço físico exigido, a possibilidade de retirar o equipamento dos trilhos facilitava o trabalho em locais onde era necessário liberar a passagem dos trens.

Acampamentos móveis acompanhavam o avanço da ferrovia

Uma das soluções mais curiosas adotadas durante a construção da Madeira-Mamoré foi a utilização de vagões transformados em alojamentos.

Alguns recebiam coberturas de folhas de palmeira, utilizadas para amenizar a exposição ao sol tropical.

A principal vantagem era a mobilidade: conforme os trilhos avançavam pela floresta, os alojamentos também podiam ser deslocados.

A existência desses acampamentos móveis é documentada em pesquisa acadêmica sobre o cotidiano dos trabalhadores da ferrovia, que reúne registros fotográficos das instalações.

Esse sistema reduzia a necessidade de construir novas estruturas fixas em cada trecho e permitia acompanhar mais de perto as frentes de trabalho.

Uma obra marcada por desafios e perdas humanas

A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré ocorreu principalmente entre 1907 e 1912 e mobilizou trabalhadores brasileiros e estrangeiros.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a ferrovia foi construída para ligar Porto Velho a Guajará-Mirim, permitindo o transporte de mercadorias e a conexão comercial da região boliviana com o sistema fluvial amazônico.

O empreendimento enfrentou dificuldades extraordinárias, incluindo doenças tropicais, acidentes, condições climáticas severas e obstáculos naturais.

A Brasiliana Fotográfica, vinculada à Biblioteca Nacional, registra que mais de 21 mil trabalhadores foram contratados durante a construção e que milhares de mortes estão associadas ao empreendimento, embora as estimativas históricas variem conforme os critérios utilizados.

Os acampamentos faziam parte desse cenário de trabalho intenso, em que a infraestrutura precisava acompanhar o avanço da construção em áreas de floresta.

O destino dos acampamentos após 1912

Com a conclusão da ferrovia, parte das estruturas utilizadas durante a construção perdeu sua função original.

O relato histórico informa que diversos acampamentos foram desativados após a entrada em operação da linha.

Outros pontos de apoio continuaram relacionados às necessidades de manutenção e circulação ferroviária.

Pesquisas sobre o período posterior à construção mostram que a Madeira-Mamoré manteve trabalhadores e prestadores de serviço responsáveis por seu funcionamento nos anos seguintes.

Uma memória que ajuda a contar a história de Rondônia

Mais de um século depois, os acampamentos ferroviários representam uma parte importante da memória dos trabalhadores que ajudaram a construir a Madeira-Mamoré.

Seus barracões, redes, mosquiteiros, vagões adaptados e equipamentos manuais revelam o cotidiano de homens que trabalharam em condições muito diferentes das encontradas nas ferrovias modernas.

A história dessas instalações também ajuda a compreender como a construção da estrada de ferro contribuiu para o surgimento e o crescimento de Porto Velho.

Preservar esses registros é reconhecer não apenas a importância das locomotivas e dos trilhos, mas também a participação dos trabalhadores que tornaram possível uma das obras mais marcantes da história amazônica.

Fontes: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Brasiliana Fotográfica/Biblioteca Nacional; dissertação "Trabalho e cotidiano na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (1907-1919)", de Ana Carolina Monteiro Paiva, Universidade Federal da Paraíba; relato histórico sobre os acampamentos ferroviários fornecido à redação.