Lula admite que não sabia da falta de reajuste do Bolsa Família desde 2023; aumento foi anunciado às vésperas da eleição
Lula afirmou à TV Globo que não sabia da falta de reajuste do Bolsa Família desde 2023. O aumento de 15,04% foi anunciado apenas 17 dias antes do primeiro turno das eleições.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (15), que não sabia que o Bolsa Família estava sem reajuste pela inflação desde a retomada do programa, em 2023. A declaração ocorreu durante sabatina da TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, na reta final da campanha presidencial de 2026.
Questionado sobre o motivo de o governo ter anunciado a correção apenas 17 dias antes do primeiro turno das eleições, Lula declarou que desconhecia a situação e que determinou o aumento assim que tomou conhecimento da ausência de reajuste.
Lula afirma que desconhecia a falta de reajuste
Durante a entrevista, o presidente classificou como inexplicável a ausência de atualização dos valores ao longo de seu mandato.
"Eu não sabia. É inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas", afirmou o presidente.
Lula também relatou que cobrou explicações de seus ministros e decidiu corrigir os valores acumulados desde 2023.
O presidente negou que a decisão tivesse motivação eleitoral e afirmou que a atualização foi determinada depois que descobriu a situação.
Reajuste foi anunciado às vésperas das eleições
Em 17 de setembro de 2026, o governo federal anunciou um reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família, elevando o benefício mínimo mensal de R$ 600 para R$ 691 por família.
O benefício médio estimado também passou de R$ 675 para R$ 777, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
A atualização considera a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.
O anúncio ocorreu 17 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro.
Governo já discutia possibilidade de reajuste anteriormente
Embora Lula tenha declarado que desconhecia a ausência de correção, a possibilidade de reajustar o Bolsa Família já havia sido discutida dentro do governo.
Em fevereiro de 2025, o então ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, chegou a mencionar publicamente a possibilidade de atualização dos valores. Na ocasião, o governo posteriormente descartou a medida.
Além disso, a proposta orçamentária para 2027, encaminhada ao Congresso Nacional em 31 de agosto de 2026, inicialmente não previa recursos para o reajuste.
Após o anúncio de setembro, o governo precisou adequar a proposta orçamentária para incorporar os novos valores.
Medida terá impacto bilionário nas contas públicas
Segundo estimativas apresentadas pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, a atualização do Bolsa Família deverá gerar um custo adicional de R$ 5,8 bilhões em 2026 e aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027.
O reajuste foi estabelecido pelo Decreto nº 13.120, publicado em 17 de setembro, com aplicação prevista na folha de pagamentos de outubro.
O governo argumenta que a medida busca recompor o poder de compra das famílias beneficiárias diante da inflação acumulada nos últimos anos.
Momento do anúncio provoca questionamentos
A proximidade entre o reajuste e as eleições levou a questionamentos sobre a motivação da medida, especialmente porque os valores permaneceram sem correção durante os anos anteriores do mandato.
Durante a entrevista, Lula negou que o anúncio tivesse finalidade eleitoral. A coincidência de datas, por si só, não comprova que o reajuste tenha sido realizado para influenciar a votação.
A decisão também foi questionada judicialmente, mas o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, entendeu que a atualização não violava as regras eleitorais, por não criar um novo benefício nem alterar os critérios de elegibilidade.
O episódio ocorre durante a disputa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.
Fontes: TV Globo/G1, Estadão Conteúdo, Poder360, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e Agência Brasil.